Olá amigos, hoje é sábado
24 de agosto, e esta é a minha segunda carta contando a minha
experiência aqui neste país tão distante e com
grandes diferenças culturais e
sociais.
OBS: Se em algum momento se sentir
chateado de ler toda esta besteira, pule para “Quinta-feira”
(Peripécias em Londres
e confusão na boate de Southampton).
---> Segunda-feira, o meu
primeiro dia de trabalho, tinha que:
Abrir uma conta no banco para
receber o meu salário pela faculdade.
Tirar o meu cartão de
identificação de funcionário.
Cadastrar os dados da minha conta
no departamento pessoal.
Me instalar no meu escritório.
O grande problema era que eu não
tinha comprovante de
residência para abrir uma conta no banco. Um
funcionário do banco me disse para que pedisse no
departamento pessoal da faculdade, uma carta dizendo o endereço
que eu morava, fiz isso e voltei no banco. Mesmo assim não me
deixaram abrir uma conta porque a carta dizia assim:
“Evandro
é uma funcionário da faculdade e ele me informou que
mora no endereço: “Tal, tal, tal” Mas nós
não podemos afirmar se isto é verdade. Acredite se
quiser!”
Que droga de carta é essa?
Realmente não dizia nada! Tive que ir de banco em banco até
que um funcionário maluco aceitou esta carta idiota, acho que
ele não leu direito. UFA!
---> Terça-feira, fui
escalado para fazer um tratamento de dados
estatatísticos de hospitais e do censo de toda
Inglaterra que estavam super bagunçados em planilhas
digitais. Um trabalho que seria impossível de ser feito
corretamente porque cada grupo de dados estava arrumado por um
critério diferente. Os dados dos hospitais
estavam arrumados por região e os dados do censo são
organizados por CEP. Os dados eram tão loucos que quando eu
somava a população feminina com
a população masculina não dava o total correto
da população de uma região. Será que os
homossexuais não são contados nem como homens
nem mulheres no censo daqui? Se for, aqui tem muita gente
“meio-termo” porque a soma sempre dava bem menos que o
total da população.
---> Quarta-feira: Não
tinha muita noção de como dar um jeito neste pepino e
passei metade do dia tentando entender a bagunça dos dados.
Este trabalho me deu uma leve dor de cabeça e um pouco de
estresse. No jantar encontrei uma farpa de madeira na minha
comida. Ketan, o meu melhor amigo inglês
ficou revoltado com isso e prometeu que iria escrever uma carta
reclamando isto.
---> Na Quinta-feira passada
fui em Londres para trocar os travelers
checks que eu comprei no Brasil e trocar
dólares por libras. Aproveitei que o meu amigo André
estava indo renovar o passaporte na embaixada brasileira em Londres e
fui junto. Eu estava parecendo um tabaréu
na cidade grande, ache Londres incrível!!!
Um monte de gente “muicho loca!”
de todos os lugares de mundo!!! Indianos, chineses, brasileiros aos
montes e de vez em quando até encontrava um inglês ou
outro. Achei um jornal brasileiro e vi que Geraldo Azevedo iria fazer
um show no dia seguinte lá em uma
boate de Londres. Deixei André na embaixada e rodei a cidade
toda de metro para chegar no Banco do
Brasil em apenas 35 minutos. O único
banco que tem fila em toda a Inglaterra é para variar o Banco
do Brasil!
Visitei o Big
Ben que é muito bonito e todo lustrado. Mas não
é nem tão “Big” (achei pequeno, parecia
relógio de pulso), nem tão “Bang” (eu
pensava que o sino fosse mais estrondaaate!). Também andei
pelos jardins da rainha esse sim, é bem grande para um jardim,
mais parece o parque da cidade em SSA (somente em tamanho). Os pombos
neste jardim são mais gordos que as galinhas do Brasil. Se
tivesse destes pombos ai no Brasil eles iriam
virar canja de pombo rapidinho pela galera
esfomeada. Com apenas um pombo também dá para
fazer 3 despachos de macumba!!!
Final do dia voltamos exaustos para
Southampton (H 21:30) quando encontramos um outro amigo brasileiro
aqui, dizendo que a boate estava ótima e que estava indo lá
encontra com outros brasileiros. Nós vamos nós, outra
vez....
Fui em casa para deixar o dinheiro que
tinha trocado e fui cair na gandaia.
Mas que pressão (exagero) do meu
amigo! A boate só tinha no máximo 20 pessoas, já
contando com nós que éramos 5 os brasileiros. Os
ingleses estavam todos bêbados, caiam o tempo todo no chão...
Fiquei batendo papo com alguns deles. Já as inglesas são
comportadas e não bebem tanto quanto as brasileiras.
Quase que eu apanhei naquele dia!!!
Uma inglesa pediu para que ensinasse a
ela como se dança no Brasil, e eu estava dando uma aula do
mais legítimo forró pé
de serra nordestino. Infelizmente um segurança babaca do
tamanho de um armário achou que eu estava sendo muito
indecente por estar dançando pegando na cintura e na
mão da inglesa. O ignorante queria
me bater!!!
O meu amigo me falou que aqui só
se aperta a mão a primeira vez que se conhece a pessoa.
Qualquer outro contato físico é assédio sexual.
Eu e meus amigos brasileiros abrimos o
gás rapidinho.......
---> Sexta-feira. Deu
preguiça de escrever. Mas basicamente acabei o trabalho que
tinha começado na terça-feira. Recebi uma proposta de
um trabalho free-lancer para a Internet que
vou fazer no domingo. Também fiquei batendo
papo com um chinês que trabalha em um restaurante do
tipo “Take away” você vai lá pega a comida e
leva para comer em casa. Estou com moral e ele me deixa comer lá
mesmo. Este lugar é tipo o “bar chuleta”
daqui, eu compro cerveja por uma libra.
---> Sábado, saí
pela cidade para comprar roupas para o inverno e um travesseiro.
Comprei um montão de roupas baratinhas em uns
brechós daqui. Estas lojas recebem doações
de roupas e utensílios, o dinheiro das vendas é
revertido em prol de alguma causa humanitária como: auxílio
a idosos ou ajuda a pessoas com câncer. Os vendedores são
voluntário e muito simpáticos, fiquei um tempão
batendo papo com eles. Paquerei até uma senhora de 75 anos que
me deu vários descontos. No Brasil deveria ter (ou ter mais)
lugares como estes, pois a idéia é fantástica,
quando voltar para o Brasil vou deixar todos os meus bagulhos com
eles.
Comprei uma jaqueta de couro e um
suéter para Elen, vão ficar
uma graça. Também comprei um casaco e uma coberta de
lã. As vezes eu acordava com os pés gelados, agora isto
não vai acontecer mais.
Também coloquei no correio a
caixa de comida com a carta reclamando pela farpa de madeira
encontrada. Vamos ver o que vai acontecer...
Fiquei triste porque vi uma velhinha
pobre e bem idosa que só tinha uma libra entrar na loja para
comprar uma garafinha de leite. Eu auxiliei
ela a comprar o leite, pois ela nem enxergava direito, nem alcançava
a prateleira que tinha as garrafas de
leite. Devia ter dado um trocadinho a ela, mas eu não fiz
nada. Sou mesmo um banana, que droga!
Ahhh, lembrei.... Teve também um
dia que eu sai para tomar uma cachaça brasileira e um vinho
com o meu ex-professor e meus outros amigos mas não tenho
muitas recordações do que
aconteceu direito nesta noite. Só sei que a cachaça era
da boa porque não tive ressaca no dia seguinte. Se alguém
for mostrar esta carta para minha mãe, por favor apague este
parágrafo antes de imprimir para que ela não fique
preocupada.
Agora estou escrevendo este lero, lero;
ouvindo “calcinha preta vol. 8” e pensando o quanto eu
sinto saudades de todos vocês...
Bom dia para todos e até a
próxima!!!
Por favor, me mandem cartas também
me dizendo como estão as coisas por ai, aqui eu não sei
de nada que esta acontecendo em lugar algum, muito menos no Brasil.
Um forte abraço para todos,
Evandro from
UK
Aguardem o próximo capítulo,
semana que vem vou ir ter que ir sozinho na delegacia de policia em
outra cidade (Winchester) para me ficharem. Pois é, o filho de
dona Maria José vai ter ficha na polícia! Acho que todo
mundo tem que fazer isso por aqui, menos quem vem a turismo.
PS: Vocês falam esta palavra
errado no Brasil, (inclusive eu) não é [uinxéster],
o correto é [uin-xestér]. Continuem falando assim, ou
ninguém vai entender quando você falar que comprou um HD
novo.